Não gostava de partidas. As partidas sempre
foram mais difíceis do que as chegadas. Talvez, por isso, não quisesse criar
vínculos. Partir é mais fácil quando não se tem algo para deixar. Definitivamente,
preferia as chegadas. Mas, sua vida tinha sido sempre assim, de partidas e
chegadas. O seu mundo apenas cresceu e as distâncias ficaram maiores. Desde
pequena acostumou-se a deixar a vida para trás. Sentada sozinha, no primeiro
banco do ônibus, ansiava pela chegada na casa da avó. A viagem parecia longa. Afinal,
quando era pequena, tudo era maior e mais demorado. Hoje, mais uma vez, olhava
para a vida através das janelas de um ônibus. Enquanto deixava-se envolver pela
paisagem, pegou-se olhando para dentro de si mesma. Naquele momento,
reencontrou a menina de olhos curiosos. Ela estava sentada no primeiro banco do
ônibus e carregava, no colo, uma mochila abarrotada de sonhos. No momento do
reencontro, foi inundada por um misto de sentimentos, de partida e de chegada. Ficou
observando a menina e deixou sua alma ser lavada por todos aqueles sentimentos
que invadiam o seu agora. Pegou sua própria mochila e viu que também estava abarrotada,
mas sabia que não era de sonhos. Pediu a menina para ficar ao seu lado. Sabia
que precisava dela para sentir-se mais completa. Ficaram juntas, sentadas no
primeiro banco do ônibus, olhando o arco-irís e a vida que passavam pela janela.
Te vi, em suas palavras....quantas idas e vindas!
ResponderExcluirEssa menina de olhos curiosos, conquistou o "mundo"!
Viva você, menina sentada no primeiro banco do ônibus.
pensava que não gostava das partidas, mas para toda partida existe uma chegada. <3
ResponderExcluirQue saudades, amiga! :)
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